Boneca Blythe

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tempo de Criança


Inserida ao Programa Museu Vivo – olhando o passado e construindo o futuro, criado em 2008 pela museóloga Ana Lúcia Uchoa Peixoto nas comemorações dos 85 anos da Fundação Instituto Feminino da Bahia, esta exposição faz um recorte do universo infantil, lúdico e subjetivo, produzido através do brincar, a partir da coleção de trajes, assessórios, brinquedos, suportes lúdicos, fotografias e postais, do período de transição entre os séculos XIX e XX, além de instalação cenográfica e recurso de comunicação visual que cria um lugar de memória.

A memória da infância está sempre associada a um momento significativo de alegria conduzido por um universo lúdico, mágico, imaginário e subjetivo, produzido através do brincar. Entretanto, a tentativa de mergulhar nesse universo representado por trajes, assessórios, fotografia, brinquedos e outros suportes lúdicos, exige de nós espectadores uma reflexão a cerca do contexto histórico, social e cultural em que a criança estava inserida.

Os trajes e assessórios que compõem esse universo infantil se comportam como código de leitura e signos de adesão e/ou exclusão social. O vestir e a veste podem ser identificados como elementos utilizados para moldar o comportamento da criança e definir os papéis sociais e, sobretudo, de gênero na sociedade. No universo feminino percebe-se que não havia muita distinção entre o modo de vestir da mulher, da criança e da boneca. Em todas as fases da vida o traje feminino se pautava no principio da sedução através das rendas, bordados e fitas, predominantemente brancos em sinal de pureza, como estratégias de conseguir matrimônio e, conseqüentemente, inserção na vida social.

O uso do branco em sinal de pureza faz-se presente ainda nos ritos de iniciação e passagem cristão-católicos representados na exposição através das roupas de batismo, usadas em ocasião dos primeiros sacramentos, cujos modelos, até então, não faziam distinção de sexo. Do mesmo modo, nas vestes de primeira comunhão, celebração que marca o recebimento do Corpo e Sangue de Cristo sob a forma de pão e vinho, o predomínio do branco acompanha também os assessórios como bolsas, terços e missais, que seguirão a menina na vida religiosa.

Os suportes e práticas lúdicas também desempenham um papel significativo na transmissão de regras e padrões comportamentais. Para as meninas, o exercício das atividades domésticas se dá através de panelinhas, fogõezinhos, ferrinhos de passar, louças e móveis em miniatura, bonecas e bebês utilizados nas brincadeiras de casinha, comidinha, mãe ou professora. O universo do menino relaciona-se sempre à força, agilidade e virilidade através de bolas, cavalos, peões, soldados, carros e revolveres, moldando o homem de ação para o trabalho de inteligência e enfrentamento. É nesse contexto que se insere a preferência pelo traje de marinheiro usado pelos meninos até meados do século XX.

Contudo, é importante entender a criança não apenas como sujeito passivo à espera da modelação dos adultos. As práticas lúdicas possibilitam a subversão da ordem estabelecida por regras de conduta social, ampliando as possibilidades de interpretações e representações próprias do mundo metafórico e subjetivo da criança, capazes de interferir no processo de transformação da história e da memória coletiva.

O brincar cria o lugar de enlace metafórico entre a criança e o seu mundo. Entretanto, surpreender o tempo e brincar, hoje, é um ato de extremo desafio frente a avassaladora rede e aparatos tecnológicos que invadem a vida da criança anestesiando o corpo e tendem a apagar a memória do brincar pelo excesso paradoxal de estímulos oferecidos em um ritmo veloz e instantâneo, através de suportes mitificados, quase totêmicos, de conseqüências, ainda não estudadas.

Por Marijara Queiroz
Museóloga


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENJAMIM, Walter. Reflexões sobre a criança o brinquedo e a educação. São Paulo: Ed. 34, 2002.
OLIVEIRA, Ana Karina Rocha de. Museologia e Ciência da Informação: distinções e encontros entre áreas a partir da documentação de um conjunto de peças de ‘Roupas Brancas’. Dissertação (mestrado). São Paulo: ECA/USP, 2009.
REIS, Adriana Dantas. Cora: lições de comportamento feminino na Bahia do século XIX. Salvador: FCJA; Centro de Estudos Baianos da UFBA, 2000.
TEXEIRA, Maria das Graças de Souza. Infância, o sujeito brincante e as práticas lúdicas no Brasil oitocentista. Tese (doutorado). Salvador: FFCH/UFBA, 2007.


VISITAÇÃO
10 de outubro a 15 de novembro de 2009
Terça a sexta de 10h às 12h e de 13h às 18h e sábado de 14h às 18h
Valor: R$5,00 e R$3,00
Fundação Instituto Feminino da Bahia
Rua Mons. Flaviano, 02, Politeama, Salvador Bahia

CONTATOS: (71) 3329-5522/5520 ou museu@institutofeminino.org.br

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

EXPOSIÇÃO: UM OLHAR INFANTIL SOBRE A MODA , FICA EM CARTAZ ATÉ O MÊS DE SETEMBRO

A exposição : um olhar infantil sobre a moda , ficará aberta a visitação até o mês de setembro , você que não viu, ainda há tempo de conferir. O Museu está localizado na Rua Monsenhor Flaviano, no. 2, no bairro de Politeama, centro de Salvador.
Seu telefone é (071)33217522 site : http://www.institutofeminino.org.br/

sexta-feira, 29 de maio de 2009

EXPOSIÇÃO: UM OLHAR INFANTIL SOBRE A MODA

APRESENTAÇÃO DA ESCOLA BALLET ART DO MOSTEIRO DE SÃO BENTO ABRILHANTA A ABERTURA DA EXPOSIÇÃO
VISÃO DA EXPOSIÇÃO
CRIAÇÃO DOS ESTILISTAS RONEY GEORGE E OTÁVIO SAMPAIO
CRIAÇÃO DA ESTILISTA ZIL CROQUÍS DE MODA REALIZADOS NAS OFICINAS
CRIAÇÕES DOS ESTILISTAS MADÁ, SILVERINO OJÚ E NÁLIA PORTELA A PARTIR DOS DESENHOS DAS CRIANÇAS
CRIAÇÃO DA ESTILISTA NÁLIA PORTELA
CRIAÇÕES DOS ESTILISTAS RENATO OLIVEIRA , ROSANA ALVES E ISABELLA VECHIATTI
CROQUÍS DAS CRIANÇAS
CRIAÇÃO DE SILVERINO OJÚ O VESTIDO DA PRINCESA ISABEL DIALOGANDO COM AS CRIAÇÕES DAS CRIANÇAS
GOLA DA CRIAÇÃO DO ESTILISTA RENATO OLIVEIRA CRIAÇÕES DOS ESTILISTAS SILVERINO OJÚ E NÁLIA PORTELA
CRIAÇÕES DA ESTILISTA KITTY COHIN

REINVENÇÕES FEITAS PELOS ESTILISTAS BAIANOS , SILVERINO OJÚ, RENATO OLIVEIRA , KITTY COHIN, NÁLIA PORTELA, ROSANA ALVES, ZIL , ISABELLA VECHIATTI , RONEY GEORGE E MADÁ , ABRILHANTAM A MOSTRA :UM OLHAR INFANTIL SOBRE A MODA , QUE ESTÁ ACONTECENDO NO MUSEU DO TRAJE E DO TÊXTIL .

quinta-feira, 21 de maio de 2009

EXPOSIÇÃO: UM OLHAR INFANTIL SOBRE A MODA



UM OLHAR INFANTIL SOBRE A MODA

A Fundação Instituto Feminino da Bahia, com a preocupação de difundir a cultura de moda, nas mais diferentes formas, em nosso estado, sente-se honrado em, mais uma vez, enaltecer esse segmento, utilizando interpretações do acervo de vestimentas e assessórios dos séculos XVIII ao XX, que fazem parte da coleção do museu do Traje e do Têxtil, produzidas na oficina de arte educação “Brincando e vestindo a história“, uma experiência de educação não formal, desenvolvida com crianças e jovens provenientes de escolas públicas e instituições sociais. A exposição permite ao visitante a observação da riqueza de detalhes e soluções plásticas adotadas pelos participantes da oficina, bem como a variedade de técnicas de representação artística que exploram o espaço bi e tridimensional. A exposição também contará com peças criadas por estilistas baianos, Kity Cohin, Rosana Alves - Josefina, Renato Oliveira, Sillas Figueira, Silverino Ojú, Madá Negrif, Nália Portella, Isabela Vecchiatti e Zil Freire, que reinterpretarão o olhar das crianças sobre a moda, gerando criações que irão compor a mostra, de modo a provocar diálogos com o acervo.
Abertura
dia 27 de maio de 2009 às 17h

Local
Fundação Instituto Feminino da Bahia
R. Monsenhor Flaviano, 02, Politema, Salvador, Bahia

Informações
Tel: 3329-5522 / 3329-5520

terça-feira, 19 de maio de 2009

Como se cria um modelo de Alta Costura?


Um modelo de alta costura é, antes de mais nada, fruto de um longo trabalho artesanal, pois, como explica uma chefe de ateliê: "Tudo reside na técnica: o avesso deve ser tão bonito quanto o direito." Primeira etapa: o desenho. O costureiro realiza uma série de croquis: passados para o ateliê, eles servirão de base para "telas", um termo genérico que designa os modelos realizados sobre uma tela de algodão, em geral cru, sobre a qual serão traçadas linhas e colocadas "bolducs" (fitas), para definir a construção da roupa.A alta costura é um negócio de milímetros: mede-se tudo, de maneira a que o tecido "caia" bem e despose perfeitamente o corpo sem no entanto moldá-lo. Acontece às vezes de os costureiros dispensarem o desenho e cortarem diretamente o tecido: foi o caso de Chanel, ou ainda de Balenciaga, o grande mestre jamais igualado, um dos últimos a serem capazes de cortar, e mesmo costurar como um virtuose... Vem a etapa do tecido, cortado, montado, alinhavado antes de ser costurado, e passado longamente a ferro, pois até a última prova (no manequim), pode-se modificar uma pinça, recomeçar uma montagem de ombro, sob o olhar do costureiro, que vai indicando os seus desejos à chefe do ateliê, a única a ter o "privilégio" de entrar no "estúdio", (o escritório de criação).Existem dois tipos de ateliês: os ateliês "tailleur", em geral reservados às roupas de dia, e os ateliês "fiou", que trabalham de preferência os modelos de noite. Os ateliês são verdadeiras colméias onde trabalham as costureiras mais experientes, suas ajudantes e as "arpettes" (aprendizes): para dar certo, diz-se no ateliê, "um modelo tem que dar a impressão de não ter sido tocado". Principalmente se ele esconde em suas dobras algumas centenas de horas de trabalho. Na véspera do desfile, são acertados os últimos detalhes, faz-se a "limpeza". Centenas de senhoras da costura, supersticiosas, recusam-se a utilizar a linha verde (dá azar). O desfile chega. Os vestidos vão. "A gente os vê partir, são um pouco como nossos filhos. Já Yves Saint-Laurent reconhece: "Quando é colocado o último alfinete, a gente se sente como um órfão."

Laurence BenaïmFonte: http://www.ambafrance.org.br/abr/label/label23/dossier/cou.html